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Maioria das emissões de carbono do Benfica provém das deslocações de adeptos

A esmagadora maioria das emissões de carbono do SL Benfica, cerca de 86%, tem origem nas deslocações dos adeptos para assistir aos jogos, tanto no Estádio da Luz como em partidas fora de casa. Este dado, revelado no Relatório de Sustentabilidade do clube para a época 2022/2023, destaca um desafio ambiental significativo para o futebol moderno, onde a paixão que move milhões de pessoas aos estádios se torna também a principal fonte da sua pegada ecológica.

Tabela de Conteúdos

O Veredito do Relatório de Sustentabilidade: A Dimensão do Impacto

O mais recente Relatório de Sustentabilidade do Sport Lisboa e Benfica quantificou, pela primeira vez de forma detalhada, a sua pegada de carbono. O documento aponta para um total de 29.988 toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e) emitidas durante a época 2022/2023. Deste universo, um valor impressionante de 25.811 tCO2e está diretamente ligado às viagens dos adeptos.

Este número coloca em perspetiva o verdadeiro peso ambiental da mobilização dos adeptos. Enquanto a operação direta do clube, como o consumo de energia no estádio e no centro de treinos, representa uma fatia menor, a paixão dos adeptos que viajam de carro, autocarro ou avião para seguir a equipa constitui o maior desafio ambiental. A análise sublinha que a experiência do futebol ao vivo, um pilar da cultura desportiva, tem um custo ecológico que os clubes começam agora a medir e a enfrentar.

Desvendando as Emissões: O que Significam os Escopos 1, 2 e 3?

Para compreender a fundo a pegada de carbono de uma organização como o Benfica, é fundamental entender a categorização das emissões em três escopos distintos. Esta metodologia, reconhecida internacionalmente, ajuda a identificar as fontes de emissões e a definir estratégias de redução mais eficazes.

Escopo 1 e 2: O Consumo Direto e Indireto do Clube

As emissões de Escopo 1 são as emissões diretas, provenientes de fontes que o clube controla. No caso do Benfica, isto inclui o consumo de gás natural para aquecimento de águas no Estádio da Luz e no Benfica Campus, bem como o combustível utilizado pela sua frota de veículos. Já as emissões de Escopo 2 são indiretas e derivam da eletricidade adquirida e consumida nas instalações do clube. Juntos, estes dois escopos representam a pegada operacional mais imediata da instituição.

Escopo 3: O Gigante Invisível Liderado pelos Adeptos

O Escopo 3 é o mais abrangente e, frequentemente, o mais significativo. Engloba todas as outras emissões indiretas que ocorrem na cadeia de valor de uma organização, mas que não são diretamente controladas por ela. É aqui que entram as deslocações dos adeptos, que sozinhas representam 86% do total do Benfica. Este escopo também inclui as viagens de negócios de funcionários e equipas, a gestão de resíduos, a produção de bens comprados e a logística de distribuição. A magnitude das emissões do Escopo 3 demonstra que o maior impacto ambiental do clube está fora das suas paredes, na mobilização da sua vasta massa adepta.

Categoria de Emissão Descrição Exemplos no Contexto do Benfica
Escopo 1 Emissões diretas de fontes controladas pelo clube. Consumo de gás natural, combustível da frota de veículos.
Escopo 2 Emissões indiretas da geração de eletricidade comprada. Consumo elétrico do Estádio da Luz e do Benfica Campus.
Escopo 3 Outras emissões indiretas na cadeia de valor. Deslocações de adeptos (86%), viagens de negócios, gestão de resíduos.

Porquê as Viagens dos Adeptos Pesam Tanto na Balança Ecológica?

A razão pela qual as viagens dos adeptos têm um peso tão desproporcional é uma questão de escala e logística. O Benfica mobiliza centenas de milhares de adeptos por época. Só no Estádio da Luz, a média de espectadores por jogo da Liga Portuguesa supera os 50.000. Se multiplicarmos este número pelos jogos em casa e somarmos as complexas deslocações para jogos fora, incluindo competições europeias, o volume de quilómetros percorridos é astronómico.

O principal meio de transporte continua a ser o veículo particular, que é significativamente menos eficiente em termos de emissões por pessoa em comparação com transportes públicos como comboios ou autocarros. Viagens para jogos em locais mais distantes em Portugal ou no estrangeiro frequentemente envolvem voos, elevando ainda mais a pegada de carbono individual e coletiva. A paixão pelo clube leva os adeptos a superar barreiras geográficas, mas essa mobilidade massiva, quando não otimizada, resulta num impacto ambiental considerável.

Qual o Papel do Adepto na Experiência do Jogo e no Meio Ambiente?

O adepto é a alma do futebol. É a sua presença que cria a atmosfera vibrante nos estádios e a sua paixão que impulsiona a equipa. A experiência de estar na bancada, sentindo a energia da multidão e acompanhando cada lance, é incomparável. No entanto, o relatório do Benfica convida a uma reflexão sobre a responsabilidade partilhada entre clube e adeptos na construção de um futuro mais verde. A consciência do impacto das suas próprias deslocações é o primeiro passo para uma mudança de comportamento.

Para os milhares de adeptos que não se podem deslocar, seja por razões logísticas, financeiras ou ambientais, a tecnologia oferece uma alternativa vibrante para não perder um único momento. Seguir o placar ao vivo através de plataformas como o Futebol Score permite uma conexão em tempo real com o jogo, fornecendo atualizações de golos, estatísticas e lances importantes. Desta forma, é possível sentir a emoção da partida, apoiando a equipa à distância e contribuindo, simultaneamente, para a redução da pegada de carbono global associada ao evento desportivo.

Que Medidas o Benfica Está a Implementar para Mitigar Este Impacto?

Ciente da sua responsabilidade, o Benfica já delineou e implementou várias iniciativas para reduzir a sua pegada ecológica. O clube tem investido fortemente em eficiência energética e energias renováveis. A instalação de mais de 1.000 painéis solares no Estádio da Luz e no Benfica Campus é um exemplo claro, permitindo a produção de energia limpa para autoconsumo e evitando a emissão de centenas de toneladas de CO2 anualmente.

Além disso, o clube promove ativamente o uso de transportes públicos para acesso ao estádio, em parceria com operadores de mobilidade. Outras medidas incluem a otimização da gestão de resíduos, com foco na reciclagem e na redução do plástico de uso único, e a modernização dos sistemas de iluminação para tecnologia LED, mais eficiente. O próprio relatório é um passo importante, pois medir o impacto é a base para gerir e reduzir eficazmente as emissões no futuro.

Comparativo Europeu: Como se Posiciona o Benfica?

O desafio enfrentado pelo Benfica não é único. A grande maioria dos principais clubes de futebol europeus, como Manchester United, Real Madrid ou Bayern de Munique, partilha a mesma realidade: as emissões de Escopo 3, dominadas pelas viagens dos adeptos, representam a maior fatia da sua pegada de carbono. A UEFA e as ligas nacionais estão a aumentar a pressão para que os clubes adotem práticas mais sustentáveis, alinhadas com as metas climáticas globais.

Neste contexto, a transparência do Benfica ao publicar um relatório detalhado coloca-o na vanguarda entre os clubes que assumem a sua responsabilidade ambiental. A quantificação exata do impacto serve como um ponto de partida crucial e um exemplo para outras instituições desportivas em Portugal e na Europa, incentivando uma abordagem mais científica e estruturada para a sustentabilidade no desporto.

O Futuro do Futebol: Rumo a um Desporto Mais Sustentável

O caminho para um futebol ambientalmente sustentável é complexo e exige um esforço conjunto. Não se trata de diminuir a paixão ou esvaziar os estádios, mas de encontrar formas mais inteligentes e ecológicas de viver a experiência do futebol.

A Responsabilidade dos Clubes

Os clubes têm o poder e a responsabilidade de liderar pelo exemplo. Devem continuar a investir em infraestruturas verdes, a otimizar a sua logística e, crucialmente, a educar e incentivar os seus adeptos a adotar comportamentos mais sustentáveis. Parcerias para oferecer bilhetes de transporte público integrados no bilhete do jogo, a criação de plataformas de partilha de boleias (carpooling) e a compensação de carbono das viagens das equipas são algumas das estratégias viáveis.

A Consciencialização dos Adeptos e Novas Tecnologias

A mudança também depende da consciencialização dos adeptos. Pequenas escolhas, quando multiplicadas por milhões, geram um impacto enorme. A tecnologia também desempenhará um papel vital, desde a otimização de rotas em apps de mobilidade até ao desenvolvimento de combustíveis de aviação sustentáveis, que poderão, a longo prazo, mitigar o impacto das viagens para competições internacionais.

Como Pode o Adepto Individual Fazer a Diferença?

Cada adepto pode contribuir ativamente para a redução da pegada de carbono associada ao futebol. As ações individuais, quando somadas, têm um poder transformador. Algumas sugestões práticas incluem:

  • Optar por Transportes Públicos: Sempre que possível, utilizar o metro, comboio ou autocarro para ir ao estádio.
  • Organizar Boleias (Carpooling): Combinar a viagem com amigos ou outros adeptos para maximizar a ocupação dos veículos e dividir os custos e as emissões.
  • Escolher Viagens Mais Verdes: Para deslocações mais longas, preferir o comboio ao avião ou ao carro individual.
  • Compensar a Pegada de Carbono: Utilizar plataformas online que calculam as emissões da sua viagem e permitem investir em projetos ambientais para as neutralizar.
  • Reduzir o Consumo no Estádio: Evitar produtos com embalagens excessivas e utilizar os ecopontos disponíveis para a reciclagem.

Perguntas Frequentes Sobre as Emissões do Benfica

Qual a principal fonte de emissões de carbono do Benfica?
A principal fonte são as deslocações dos adeptos para assistir aos jogos, que representam 86% da pegada de carbono total do clube, conforme o Relatório de Sustentabilidade 2022/2023.

O que são emissões de Escopo 3?
São emissões indiretas que resultam de atividades na cadeia de valor do clube, mas que não são diretamente controladas por ele. As viagens dos adeptos são o maior componente do Escopo 3 para o Benfica.

Que percentagem das emissões totais do Benfica vem das viagens dos adeptos?
As viagens dos adeptos são responsáveis por aproximadamente 86% das emissões totais de carbono do clube.

O que o Benfica está a fazer para reduzir este impacto?
O clube está a investir em energias renováveis (painéis solares), a promover o uso de transportes públicos, a melhorar a gestão de resíduos e a aumentar a eficiência energética das suas instalações.